segunda-feira, 4 de julho de 2016

Como devemos trabalhar ?

Amor e Profissão
por Raquel Kussama
Se não dermos atenção ao nosso sentir e verdades interiores e essenciais, o resultado será sempre o sofrimento. Descobrirmos as mensagens que a vida nos passa, por meio de situações que acontecem, é a forma de crescermos, amadurecermos e, sem dúvida, sermos mais felizes.
Em 1999, publicamos no jornal Correio Popular - caderno de Recursos Humanos da APARH Campinas, a série, a seguir, sobre como os profissionais e as pessoas reagiam e, mesmo hoje, reagem ao mundo das organizações.

A INCAPACIDADE DE SER HOMEM

Homens e mulheres vivem um drama na existência da humanidade! No mundo paradoxal, a ausência de negociação e comprometimento dita as regras da vida no trabalho e socialmente.
São constantes as cobranças sobre posição hierárquica – que nos levam a ações inadequadas – e definição de metas objetivas – que nos fazem perder o poder de sonhar.  É a racionalidade ao extremo, que nos torna insensíveis à miséria e à falta de estrutura de um país, teoricamente, rico em espaço e pessoas com talento.
Vemos organizações com discursos maravilhosos de valorização do ser humano e, ao mesmo tempo, com ações que impedem o amadurecimento profissional, seja pela impossibilidade da implantação de projetos importantes para o seu próprio crescimento, seja pela ausência de oportunidades quanto à criação e uso da inteligência.
Vemos também profissionais amarrados, impedidos de mostrar seu talento, pela falta de confiança em suas organizações. A política do “medo” e do “faço o que me mandam” chegou a tal ponto (e ainda não é o extremo) que faz com que as pessoas deixem de agir com senso de profissionalismo e pensem, exclusivamente, em manter seu emprego, seu rendimento mensal.
Conseqüências para o ser humano: CRISES. Falta tempo para refletirmos, pensamos no imediatismo, agimos de forma a sobrevivermos, sonhamos no concreto, atuamos com a impulsividade conveniente.
A razão não sobrevive sem a emoção e a emoção, por sua vez, precisa da razão para viver. A luta do e pelo cotidiano tem nos trazido conflitos externos (que ajustamos), mas ainda pior são os conflitos internos. São estes: saber quem sou eu, o que quero e o que o outro quer, o que quero do outro. Enfim, definições sobre os diversos aspectos da própria vida.
Talvez, o mais doloroso dos conflitos seja ajustar-se, a busca da coerência entre Razão e Emoção, na era da competitividade, do diferencial e da lucratividade com margens cada vez menores. É preciso estar em equilíbrio, sabendo administrar o estresse diariamente e criando metas a partir de sonhos, para que a busca da felicidade e do sucesso seja a razão e emoção suficientes para viver com ousadia, ponderação, racionalidade e impulsividade.
Temos que criar e recriar sempre a capacidade de enfrentar as barreiras, transformando-as em oportunidades e vencendo nossos próprios limites, porque, assim, atingiremos o sucesso.

O LIMITE DO SER HUMANO

Cada pessoa tem obstáculos na sua vida com complexidades diferentes, que resultam em ações também diferenciadas no comportamento. Dependendo da situação que enfrentamos, são gerados pensamentos e barreiras imediatas.
Cabe à pessoa saber enfrentar, em cada situação, os obstáculos criados por ela mesma. Sabemos que a pior reação a um problema é a de indecisão, a indefinição do rumo. Após algum tempo é que se consegue racionalizar e traçar os caminhos pela busca da solução com resultados positivos.
Quando a situação é de sucesso, fica muito mais fácil enfrentar, mas é preciso ter ciência de que, mesmo uma situação positiva, dependendo da ação, pode gerar resultados positivos ou negativos.
Independente do tipo de situação pela qual se passa, o diferencial é a forma de pensar e racionalizar: pessoas fortes são capazes de enxergar perigos, conflitos e ameaças de frente, sem medos, mas conscientes quanto à sua reação ao processo de decisão e mudança; as fracas fantasiam, criam obstáculos para enfrentarem a si mesmas e, ao invés de reagirem, retardam até conseguirem tomar a atitude que idealizam como a mais viável ou, então, até passar a situação e nada fazerem.
No cotidiano, é preciso pensar e agir rapidamente a toda hora. Cada dia mais a abrangência de atribuições e responsabilidades diminui o tempo de lidar com frustrações, ansiedades e medos.
Resta ser forte sempre, agir prontamente a cada novo minuto. Esta é a realidade e de nada adianta querer que o contrário volte, o que jamais acontecerá, porque tudo que muda não tem volta. 
A facilidade de adaptação traz o diferencial competitivo dos profissionais, resultante do lucro da empresa em que trabalha. A exigência pela competência técnica e comportamental está deixando de ser mais um fator de avaliação nos profissionais, mas sim determinante na sua contratação ou manutenção na organização.
Reter talento humano passa a ser fundamental às empresas que desejam o sucesso, assim como eliminar as “pessoas enroladas”, que demonstram medo de tomar decisões e que atrasam os processos administrativos na rotina de trabalho. Fazer bem-feito e rapidamente é a palavra de ordem, assim como – e principalmente – ser independente, saber fazer sozinho, sem a intervenção de outros profissionais.
Saber trabalhar em equipe e, cada dia mais, assumir sua própria responsabilidade, executar sua função sozinho, sabendo também a hora exata de pedir a intervenção de um colega ou superior, no sentido de agregar valor.
É muito comum, que, na onda de trabalhar em equipe, os profissionais usem essa situação como argumento para empurrarem problemas e não se posicionarem. É fácil para algumas pessoas ausentarem-se de situações, fazendo de conta que nada têm a ver com o fato exposto.
No dia-a-dia familiar isso acontece com freqüência, gerando estresse a todos e nada é resolvido, pois são usadas as frases típicas: “ele / ela é assim mesmo”; “esse é o jeito dele / dela ser”; “nunca posso contar com a ajuda dele /dela”.
Expressões como estas são recusadas pelas empresas, pois comprovam a ineficiência do profissional, mas se aceita, por exemplo: “é difícil fazê-lo entender, mas com o tempo chegaremos lá”.
A forma e a velocidade dos pensamentos são fatores determinantes ao profissional competitivo. Mais importante ainda é a ação e reação a cada situação pela qual se passa, velha ou nova.
A nova significa um processo de mudança. A velha, uma rotina de trabalho. Do profissional é esperada a capacidade de pensar e agir prontamente sem a intervenção e pensamento de outra pessoa, exceto em situações que envolvam aspectos diferenciados, que resultem em mudanças de processos e/ou formas de vida.
O limite do ser humano é sua incapacidade de agir, sua dificuldade de superar questões do dia-a-dia. Romper esse processo significa acreditar em si e na sua própria vontade.
Dicas para começar? Aí vão: Saiba no que empresa está trabalhando, o que é esperado de você, qual sua missão, qual a missão do seu cargo, analise seu talento e potencial, trace seu caminho e siga em frente, pense e racionalize sempre, enfrente as dificuldades naturais da carreira, mas atinja seu objetivo, tenha sucesso e gere sucesso também para a empresa. Sinta-se e seja um vencedor de fato e não de fantasia! Ah... Pode trocar a palavra empresa por família e o resultado será sua felicidade e a da sua família.

SUPERAR É POSSÍVEL !

Claro que é possível superar nossos limites. Temos fases complicadas, que nos estrangulam e sentimo-nos incapazes. Nesse momento, é preciso ter um amigo, um ombro para levantar-nos após ouvirmos verdades, na maioria das vezes, desagradáveis, porém, necessárias para entendermos as ações e reações do cotidiano.
O limite chega num momento de fraqueza, de cansaço ou daquele em que não conseguimos gostar de nós mesmos! Ele só é eliminado exatamente quando passamos a acreditar e começamos a tomar ações em prol do nosso crescimento e desenvolvimento. Jamais podemos ficar vivendo esse limite durante dias, semanas ou a vida toda. Isto seria a ruína humana.
Enxergar medos e viver enfrentando a si mesmo exigem paz, fé e determinação para alcançar os objetivos concretos da vida terrestre e espiritual. É preciso ter consciência que os dois lados são fundamentais à sobrevivência humana.
As organizações já se preocupam em ter na sua rotina ações no terceiro setor. A valorização do ser humano já é realidade no planejamento estratégico de empresários e executivos que precisaram, em algum momento de suas vidas, reformular valores e princípios, e agir de maneira diferente do que somente a busca pelo aspecto material.
Superar limites é saber estabelecer uma meta, o caminho para a concretização (estratégias), definir o plano de trabalho, acreditar, criar a equipe e seguir em frente, resolvendo, decidindo no momento exato e necessário, sem ansiedade nem atropelos. É atingir o resultado esperado ou superá-lo, fazendo com que cada ser humano envolvido obtenha maturidade pessoal e profissional.
O único fator que nos impede de vencer e romper os limites somos nós mesmos. A luta pelo cotidiano, com certeza, é árdua, mas repleta de satisfações a cada novo desafio vencido e nova etapa concretizada. Estabeleça etapas em sua vida, assim verá que fica mais fácil ver os resultados atingidos, continuará a acreditar em você, vencerá a todas e sentirá o sucesso da sua vida pessoal e profissional concretizado.
Idealize isso também na sua empresa. Crie seu planejamento estratégico, comunique aos seus funcionários e subordinados – equipe de trabalho -, faça com que sejam seus aliados nessa trajetória e, juntos, colham os resultados.

TEMPO: EVOLUÇÃO E MATURIDADE

Quando falamos em crescimento pessoal e desenvolvimento profissional temos considerado sempre a questão maturidade do ser humano. Em nosso caminho, desde a gestação até a fase adulta, apreendemos valores, mitos e tudo mais que nos formata, para que, na fase adulta, possamos aperfeiçoar nosso processo de maturidade pessoal e profissional.
A maturidade pessoal é concretizada muito antes da profissional (pelo menos, é o esperado), pois significa a consolidação de valores e princípios que determinam a estrada da vida. Objetivos e ideais, sonhos e projetos de vida são criados pela maturidade pessoal.
A maturidade profissional é a forma de condução dos aspectos relativos ao trabalho: postura, posicionamentos, interação com outros profissionais. Cada dia mais é preciso tomar conta desse aspecto para que os sonhos e metas criados nas empresas sejam concretizados e deixem de ser trabalhos realizados no início do ano, sem fundamentação teórica ou perspectiva de se tornarem realidade.
Toda e qualquer organização necessita de resultados positivos. Acreditamos necessário saber a direção – planejamento estratégico e os caminhos – planejamento de ações. Tendo ciência destes aspectos, cabe ao profissional determinar cada meta – planejamento das tarefas – e seguir o caminho da organização.
Aos dirigentes da empresa fica a responsabilidade da primeira parte, assim como a de gerenciar e supervisionar o processo empresarial como um todo.
Aos profissionais cabe a responsabilidade de gerar as ações para o alcance dos resultados positivos à organização. A soma do talento humano será o diferencial da empresa competitiva e saudável.
A evolução das organizações é construída pela história de cada profissional inserido no seu contexto. O fator tempo é determinante nessa relação de aperfeiçoamento, de crescimento e desenvolvimento do ser humano, enquanto pessoa e profissional.
Cada fase da nossa vida é marcada por tomadas de decisões que influenciam o próximo passo da nossa própria história. Qualquer decisão tomada muda o curso da história do ser humano ou da organização, assim como a ausência dela.
Agir assertivamente significa tomar decisões sempre, mesmo em situações de dúvida, receios. Fantasmas e tabus todos têm, mas o importante é vencer, superar cada um e, como já citado, agir assertivamente.
Deixando o “barco rolar”, “deixando para ver como é que fica” tornamo-nos alvos fáceis de fazer o jogo de outro alguém com interesses alheios.
O tempo é um fator positivo ou negativo em nossas vidas. Muitas vezes, temos que agradar, outras, desagradar. Há o tempo certo de plantar e o de colher; de treinar e agir; de fazer o salto da organização e manter seu crescimento suave ou agressivo. 
O cenário social e econômico determina a velocidade da ação de empresas e profissionais. Analisar o macro e micro-cenários é fundamental aos profissionais que tenham como objetivo o sucesso, a felicidade.
Faz-se importante na análise considerar o tempo histórico, a maturidade, não só das pessoas, mas também dos profissionais, para que tendências possam ser realizadas sem a presença de “achismos” e sim com fundamentações técnicas, mesmo que subjetivas em determinados momentos.
Temos que ousar e refletir tudo a seu tempo, ter domínio sobre o tempo sempre, decidir na hora certa e não se deixar levar por interesses alheios. Ser realizadores, plantar para colher, construir para todos usarem nossa obra, pensar e refletir sobre nossos atos para que a melhoria faça parte de nossas vidas.  Encaremos os fatos com otimismo, visão de futuro e raciocinemos, procurando criar ações em prol de resultados positivos para a organização e nossa carreira profissional. Saibamos inovar no momento exato da necessidade, pois, se deixarmos para agir depois, poderá não haver mais tempo para novas ações.
Sejamos sempre os construtores da nossa vida pessoal e profissional.
Percebemos que a realidade em sentimentos mudou pouco e resta ao profissional entender, aceitar e superar as barreiras e achar a si mesmo nesse mundo organizacional.
Do latim “profissão” vem de professione = ato ou efeito de professar, tornar pública uma crença, uma opinião ou, simplesmente, um modo de ser habitual.
É preciso que as pessoas sejam o reflexo verdadeiro daquilo que realmente gostam, que lhes dá prazer, que é a essência. É necessário acreditar na vocação, pois a felicidade requer muito mais do que dinheiro, posição social ou hierarquia. É preciso também resgatar valores, como o amor à profissão, pois o talento humano vem da alma, vem do que de melhor temos a contribuir junto a uma organização.
Revisão por Lucélia A. Pulzi.